domingo, 20 de março de 2016

MANIFESTO TRANSMUTOFÁGICO


O Brasil que eu quero é um país onde predomine a liberdade de pensamento, 
aliada ao respeito ; 
um país onde não haja espaço para o ódio, o fascismo, a segregação 
de qualquer tipo ou facção; 
um país onde todos tenham direito à dignidade, 
onde haja verdadeira igualdade (apesar das diferenças); 
um país livre de preconceitos, livre do machismo, 
da misoginia, da homofobia, 
da violência, da intolerância, 
da ignorância; 
um país onde a cultura, a arte e a leitura prevaleçam sobre o consumo, 
onde a aquisição de conhecimento tenha mais valor do que a aquisição de mercadoria; 
um país onde conhecer Hegel, Nietzsche e Espinosa, 
ler Clarice, Machado e Guimarães Rosa 
dê mais status do que ter carro novo na garagem e viajar para Miami; 
um país onde o imperecível deleite de ouvir boa música 
supere o prazer efêmero de fazer compras no shopping
um país com mais Tomzés e menos Micheis Telós, 
com mais maracatu e menos brucutu, 
com mais amor e bossa nova, 
menos maldade e brutalidade, 
com mais antropofagia e menos acefalia; 
um país onde a reflexão ocupe o lugar das falas prontas, 
onde ideias vivas substituam ideias mortas; 
um país onde a grande mídia não manipule informação 
e não controle a mente da população; 
um país onde haja mais auto-estima, fraternidade e união.
Esse é o país que eu quero, 
verde-amarelo, 
mas também azul e branco, vermelho, rosa, preto, laranja, marrrom, cinza, lilás, furta-cor.
Talvez eu seja uma sonhadora, mas também tenho meus pés no chão, 
e sei que a liberdade de expressão 
não tem preço, não tem, não.

© Siomara Spinola


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