Não é por nada, não... mas é a verdade que não quer calar.
Bom, pra começar, vamos com calma... Eu não sou nem pretendo ser a dona da verdade e não confio nem um pouco em gente que pensa que é. Ninguém pode se julgar dono da verdade sem incorrer em grave delito de arrogância e presunção. Acontece que quem avisa amigo é, já diziam os antigos. Então, sem nenhuma intenção de defender a "verdade absoluta" (porque ela nem existe), de ofender ou comprar briga, por favor, mas só pradar um toque amigo pra quem, talvez, quem sabe, de repente, esteja cogitando participar das tais "manifestações", pense bem, pense muito bem, pois pode estar cometendo um ato do qual poderá se arrepender amargamente no futuro, pode estar contribuindo para dar munição a golpistas e cobertura a corruptos. Tem muita gente safada querendo se safar jogando a batata quente na mão dos outros, metaforicamente falando. Com todo o respeito a quem pensa o contrário, mas esses atos de manifesto são visivelmente orquestrados por gente mal intencionada, que não quer combater a corrupção, mas, sim, salvar a própria pele. Até mesmo um conhecido jornalista, que prefiro não nomear, de "tendências direitistas", vamos dizer assim, pra ser politicamente correta, admitiu que os políticos precisam derrubar Dilma antes que sejam atingidos pelo mar de lama da operação Lava-Jato e outras mais. Estão desesperados. A febril "temporada de caça" que se vê diariamente na TV mostra o grau de desespero dessa gente. Pois é, não dá pra desconfiar de tanta gana em querer "combater a corrupção"? Hahaha... faz-me rir. Corrupto denunciando corrupção é como o roto rindo do esfarrapado. Por isso é preciso tomar cuidado pra não cair na armadilha ardilosamente preparada. Eu pulo fora. Quem avisa amigo é...
sexta-feira, 11 de março de 2016
Sexta-feira chuvosa
Reativando o blog, depois de tanto tempo...
Desculpem não dizer um bom dia nesta bela sexta-feira chuvosa e fresquinha. Eu realmente gostaria de me abster de comentários e fazer de conta que nada está acontecendo, mas tem horas que não dá... Independentemente de filiação partidária (aliás, no momento, deixo claro que não tenho nenhuma), essa "caça ao Lula" está simplesmente ridícula, mas, ao mesmo tempo, assustadora. Eu não vejo TV, mas, às vezes, quando estou na academia, eu me deparo com o JN (socorro!) e, com o rabo dos olhos, vejo cenas de um filme de terror. É perseguição na cara dura. Ontem mesmo eu li de relance uma frase inacreditável, que eu nem lembro mais qual foi; minha memória seletiva deletou. A questão não é de justiça, mas de caçada implacável, de sede de vingança, seja lá qual for o bode expiatório. Antes o alvo principal era a Dilma, agora o ódio se voltou contra o Lula. Sempre é preciso ter um "culpado" pra malhar. Se estivéssemos dois mil anos atrás, com certeza iriam querer pregar o Lula na cruz. E a população, ensandecida por essa lavagem cerebral, principalmente, da Globo e da Veja, quer ver sangue. Ao meu redor, ouço pessoas dizendo coisas que me deixam estupefata, tamanha a falta de reflexão, de bom senso, de pensamento próprio. Não passam de discursos prontos, copiados e vomitados. Um bando de papagaio de pirata repetindo o que ouve no "noticiário", se achando super bem informado. Ohhhh! Perdoai, senhor, eles não sabem o que fazem... nem o que dizem. Inocentes úteis. Ai, que tristeza, que vergonha alheia...
Desculpem não dizer um bom dia nesta bela sexta-feira chuvosa e fresquinha. Eu realmente gostaria de me abster de comentários e fazer de conta que nada está acontecendo, mas tem horas que não dá... Independentemente de filiação partidária (aliás, no momento, deixo claro que não tenho nenhuma), essa "caça ao Lula" está simplesmente ridícula, mas, ao mesmo tempo, assustadora. Eu não vejo TV, mas, às vezes, quando estou na academia, eu me deparo com o JN (socorro!) e, com o rabo dos olhos, vejo cenas de um filme de terror. É perseguição na cara dura. Ontem mesmo eu li de relance uma frase inacreditável, que eu nem lembro mais qual foi; minha memória seletiva deletou. A questão não é de justiça, mas de caçada implacável, de sede de vingança, seja lá qual for o bode expiatório. Antes o alvo principal era a Dilma, agora o ódio se voltou contra o Lula. Sempre é preciso ter um "culpado" pra malhar. Se estivéssemos dois mil anos atrás, com certeza iriam querer pregar o Lula na cruz. E a população, ensandecida por essa lavagem cerebral, principalmente, da Globo e da Veja, quer ver sangue. Ao meu redor, ouço pessoas dizendo coisas que me deixam estupefata, tamanha a falta de reflexão, de bom senso, de pensamento próprio. Não passam de discursos prontos, copiados e vomitados. Um bando de papagaio de pirata repetindo o que ouve no "noticiário", se achando super bem informado. Ohhhh! Perdoai, senhor, eles não sabem o que fazem... nem o que dizem. Inocentes úteis. Ai, que tristeza, que vergonha alheia...
quarta-feira, 9 de abril de 2014
sexta-feira, 12 de abril de 2013
A utopia
"Quando algo é uma utopia, senão a partir do instante em que se pergunta sobre seu futuro ou sobre a possibilidade de sua efetuação? Deixe isto de lado; a revolução não tem futuro, e muito menos precisa de passado. Pense-se no evento, no acontecer dela.
Um escritor não deve considerar a pátria como uma coisa pronta. Pelo contrário, admitir que sua obra colabora para dar consistência, força e beleza à Pátria - e que esta, se distingue pelos trabalhos de seus artistas e cientistas, de seus pensadores."
Cláudio Ulpiano
Um escritor não deve considerar a pátria como uma coisa pronta. Pelo contrário, admitir que sua obra colabora para dar consistência, força e beleza à Pátria - e que esta, se distingue pelos trabalhos de seus artistas e cientistas, de seus pensadores."
Cláudio Ulpiano
sexta-feira, 8 de março de 2013
Por que "Dia da Mulher"?
Essa denominação Dia Internacional da Mulher sempre me deixa muito irritada porque soa piegas e paternalista. Instituir uma data comemorativa e nomeá-la "Dia da Mulher" deixa implícito que a mulher é um Outro num mundo de homens. Por que não "Dia Internacional da Luta Feminina"? Aí, sim, esse dia teria contemplado o seu verdadeiro significado, assim como o Dia da Consciência Negra. Não existe o Dia do Negro, por que Dia da Mulher?
Detesto essa pieguice de homenagear as mulheres com flores e
recadinhos melosos. Não que eu seja insensível, muito pelo contrário, até que
sou bem romântica. O problema é misturar as coisas. Este dia deveria ser
comemorado como aquilo que de fato representa: a luta das mulheres pelos seus
direitos e pela conquista do seu espaço no mundo, uma luta que não acabou; é
uma luta diária, de mulheres guerreiras, que confrontam poderes, subvertem
regras, desafiam convenções e traçam o seu próprio destino. Mulheres que
enfrentam jornadas duplas, pressões sociais, violência, preconceito, menosprezo
e piadinhas machistas. Mulheres que não desistem. Mulheres que resistem e
insistem na força de sua existência.
Este dia é dedicado a todas as mulheres do mundo que lutaram
e lutam pelo direito de serem respeitadas como seres humanos: Anas, Marias,
Joanas, Clarices, Dolores, Naras, Maysas, Leilas, Franciscas, Julianas, Ritas,
Ivones, Lauras, Saras, Isabeis...
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
Crônicas cariocas
Não sei se é uma nova moda... Só sei que as legítimas cariocas da gema, garotas de Ipanema, Copacabana, Leme e Leblon andam desfilando por aí, cheias de graça, no mais tradicional estilo aeróbico inaugurado por Jane Fonda nos anos 1980. Traduzindo: meião esticado até os joelhos por cima da legging colada ao corpo. Na dúvida, aderi. Não foi uma escolha estética. O visual, de gosto duvidoso, definitivamente não me atrai. Também não foi para estar em dia com as últimas tendências do mundo fashion. Fashionistas de plantão que me desculpem, mas estou pouco me lixando para esse tipo de coisa. Minha adesão ao modismo retrô tem um motivo exclusivamente pragmático, para não dizer, paranoico: medo da dengue!
É isso mesmo. Nada de glamour. Noia total. Afinal, “seguro morreu de velho”, já dizia minha finada avó, com toda a sabedoria dos ditados populares. Quem circula pelos logradouros da dourada zona sul da cidade mais-que-maravilhosa deve saber do que eu estou falando. É uma infestação assombrosa. Em alguns pontos de Copacabana se formam verdadeiras nuvens de mosquitos pairando sobre as calçadas, em pleno sol do meio-dia, só aguardando a oportunidade de “fazer uma boquinha” – à noite também! Tanto que outro dia desisti de assistir a uma peça quando me vi acompanhada de vários integrantes da família Aedes na fila do teatro. Vade retro. Deus me livre e guarde. Os descendentes dos culicídeos que me perdoem a indelicadeza. Sei que são cosmopolitas, e talvez também apreciem as artes cênicas, mas dispenso sua companhia. Prefiro ficar só.
O que mais me intriga é a tranquilidade das pessoas ao meu redor. Ninguém, além de mim, demonstra inquietação, ninguém parece se importar com a presença ameaçadora dos transmissores potenciais do vírus dengoso. O que faz essas criaturas se sentirem tão tranquilas? O que elas sabem que eu não sei? Ó, enigma. Confesso que, além de estupefação, me causa certa inveja esse ar blasé dos passantes. Quem me dera caminhar despreocupadamente pelas ruas. Sem conseguir alcançar o misterioso segredo de tamanha serenidade alheia, só me resta fugir dos mosquitos como o diabo da cruz. Basta eu avistar a sombra de um deles se aproximando para acionar rapidamente minha estratégia de fuga. Modéstia à parte, sou boa nisso. Nenhum deles conseguiu me pegar. Bingo!
Por segurança, não saio de casa sem antes tomar medidas drásticas: me cobrir dos pés à cabeça – a despeito da temperatura acima dos 30 graus lá fora – e borrifar boas doses de spray repelente nas únicas partes descobertas do corpo, ou seja, apenas mãos e pescoço (o rosto não conta porque, estando com os olhos bem abertos, é possível monitorar qualquer tentativa de ataque pela linha de frente). Com isso me sinto mais protegida e preparada para enfrentar a ameaça do exército de sugadores prontos a atacar a qualquer momento. Essa tática de guerra ajuda a manter afastados os mosquitos mal intencionados, mas também destrói qualquer chance de aproximação romântica. Enfim, não se pode ter tudo na vida.
O mundo é cheio de perigos. O Rio de Janeiro, então, nem se fala. Mas hoje, sinceramente, tenho muito mais medo do mosquito da dengue do que de ladrão.
Siomara Spinola
06 de fevereiro, 2013
É isso mesmo. Nada de glamour. Noia total. Afinal, “seguro morreu de velho”, já dizia minha finada avó, com toda a sabedoria dos ditados populares. Quem circula pelos logradouros da dourada zona sul da cidade mais-que-maravilhosa deve saber do que eu estou falando. É uma infestação assombrosa. Em alguns pontos de Copacabana se formam verdadeiras nuvens de mosquitos pairando sobre as calçadas, em pleno sol do meio-dia, só aguardando a oportunidade de “fazer uma boquinha” – à noite também! Tanto que outro dia desisti de assistir a uma peça quando me vi acompanhada de vários integrantes da família Aedes na fila do teatro. Vade retro. Deus me livre e guarde. Os descendentes dos culicídeos que me perdoem a indelicadeza. Sei que são cosmopolitas, e talvez também apreciem as artes cênicas, mas dispenso sua companhia. Prefiro ficar só.
O que mais me intriga é a tranquilidade das pessoas ao meu redor. Ninguém, além de mim, demonstra inquietação, ninguém parece se importar com a presença ameaçadora dos transmissores potenciais do vírus dengoso. O que faz essas criaturas se sentirem tão tranquilas? O que elas sabem que eu não sei? Ó, enigma. Confesso que, além de estupefação, me causa certa inveja esse ar blasé dos passantes. Quem me dera caminhar despreocupadamente pelas ruas. Sem conseguir alcançar o misterioso segredo de tamanha serenidade alheia, só me resta fugir dos mosquitos como o diabo da cruz. Basta eu avistar a sombra de um deles se aproximando para acionar rapidamente minha estratégia de fuga. Modéstia à parte, sou boa nisso. Nenhum deles conseguiu me pegar. Bingo!
Por segurança, não saio de casa sem antes tomar medidas drásticas: me cobrir dos pés à cabeça – a despeito da temperatura acima dos 30 graus lá fora – e borrifar boas doses de spray repelente nas únicas partes descobertas do corpo, ou seja, apenas mãos e pescoço (o rosto não conta porque, estando com os olhos bem abertos, é possível monitorar qualquer tentativa de ataque pela linha de frente). Com isso me sinto mais protegida e preparada para enfrentar a ameaça do exército de sugadores prontos a atacar a qualquer momento. Essa tática de guerra ajuda a manter afastados os mosquitos mal intencionados, mas também destrói qualquer chance de aproximação romântica. Enfim, não se pode ter tudo na vida.
O mundo é cheio de perigos. O Rio de Janeiro, então, nem se fala. Mas hoje, sinceramente, tenho muito mais medo do mosquito da dengue do que de ladrão.
Siomara Spinola
06 de fevereiro, 2013
terça-feira, 22 de maio de 2012
Antissocial?
Antissocial
Por Ruy Castro
Folha de S. Paulo, 18 de maio de 2012.
RIO DE JANEIRO - No mínimo, três ou quatro por dia. São os convites eletrônicos que recebo para me tornar "amigo" de fulano ou para "fazer parte de sua rede profissional". São convites amáveis, endereçados a mim pelo primeiro nome. Mas, apesar do tratamento personalizado, têm um ar de mensagem disparada a 100 ou 200 pessoas ao mesmo tempo.
Sempre que recebo esses convites, embatuco. Não tenho Facebook, nem sei como funciona, e as únicas redes profissionais a que pertenço são as empresas a que presto serviços como escritor ou jornalista. Não sei, por exemplo, qual é a "rede profissional" de um querido amigo que, aos 70 anos, nunca teve uma carteira de trabalho assinada, nem acordou como assalariado um único dia em sua vida -e ele me convidou a me juntar à sua "rede".
Como não sei para que servem essas redes, também não sei o que responder e, pior, temo que tais mensagens sejam pegadinhas marotas contendo vírus. Assim, ou as apago ou deixo que morram de velhice na lista de mensagens. O problema é que, com isso, posso estar passando por esnobe ou antissocial para quem se deu ao trabalho de me convidar a ser seu "amigo" ou juntar-me à sua "rede".
O ridículo é que os que me convidam a tornar-me "amigo" deles já são meus amigos. Têm meu telefone, sabem onde moro, já saímos juntos para pândegas, discutimos futebol, fomos até sócios no passado e, se calhar, um tomou a namorada do outro e vice-versa. Então, por que tal formalismo engessado?
Acredito que os programadores dessas maravilhas eletrônicas tenham pouca prática de vida real. Por serem muito jovens e já terem nascido com um mouse na mão, talvez não saibam que as relações humanas podem se formar a partir de um encontro casual, um aperto de mão, um brilho no olhar.
Por Ruy Castro
Folha de S. Paulo, 18 de maio de 2012.
RIO DE JANEIRO - No mínimo, três ou quatro por dia. São os convites eletrônicos que recebo para me tornar "amigo" de fulano ou para "fazer parte de sua rede profissional". São convites amáveis, endereçados a mim pelo primeiro nome. Mas, apesar do tratamento personalizado, têm um ar de mensagem disparada a 100 ou 200 pessoas ao mesmo tempo.
Sempre que recebo esses convites, embatuco. Não tenho Facebook, nem sei como funciona, e as únicas redes profissionais a que pertenço são as empresas a que presto serviços como escritor ou jornalista. Não sei, por exemplo, qual é a "rede profissional" de um querido amigo que, aos 70 anos, nunca teve uma carteira de trabalho assinada, nem acordou como assalariado um único dia em sua vida -e ele me convidou a me juntar à sua "rede".
Como não sei para que servem essas redes, também não sei o que responder e, pior, temo que tais mensagens sejam pegadinhas marotas contendo vírus. Assim, ou as apago ou deixo que morram de velhice na lista de mensagens. O problema é que, com isso, posso estar passando por esnobe ou antissocial para quem se deu ao trabalho de me convidar a ser seu "amigo" ou juntar-me à sua "rede".
O ridículo é que os que me convidam a tornar-me "amigo" deles já são meus amigos. Têm meu telefone, sabem onde moro, já saímos juntos para pândegas, discutimos futebol, fomos até sócios no passado e, se calhar, um tomou a namorada do outro e vice-versa. Então, por que tal formalismo engessado?
Acredito que os programadores dessas maravilhas eletrônicas tenham pouca prática de vida real. Por serem muito jovens e já terem nascido com um mouse na mão, talvez não saibam que as relações humanas podem se formar a partir de um encontro casual, um aperto de mão, um brilho no olhar.
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