terça-feira, 24 de março de 2009

Estética da abdicação

"Conformar-se é submeter-se e vencer é conformar-se, ser vencido. Por isso toda a vitória é uma grosseria. Os vencedores perdem sempre todas as qualidades de desalento com o presente que os levaram à luta que lhes deu a vitória. Ficam satisfeitos, e satisfeito só pode estar aquele que se conforma, que não tem a mentalidade do vencedor. Vence só quem nunca consegue. Só é forte quem desanima sempre. O melhor e o mais púrpura é abdicar..." (Fernando Pessoa)

domingo, 22 de fevereiro de 2009

A vida sempre grita

A vida sempre grita!

Os seres, ainda que confinados, encontram frestas por onde escapar... Nem todas as existências aprisionadas aceitam passivamente sua condição. Elas se movem numa superfície lodosa e malcheirosa, sim, mas se movem, mesmo imperceptivelmente.

Por mais que se tente, por todos os meios, confinar definitivamente a vida, encurralá-la, enclausurá-la, sempre ela escapa, sempre irá escapar, de uma forma ou de outra, bem debaixo das vistas míopes dos representantes do poder.

A existência que respira, ainda que com certa dificuldade, o ar fresco e rarefeito da liberdade, que sente dentro de si o seu sopro revigorante e selvagem, essa existência, mesmo limitada pela "arquitetura do cativeiro", encontra a força necessária para modificar o ambiente e a si própria. Nada e ninguém a pode conter.

Uma tal existência nunca estará totalmente capturada. Ela resiste e insiste na vida imanente. Ela se afirma no grito!

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Caos 2



Estou envolta no caos.
Na envolta.
De envolta.

Sem volta?



Caóticas são minhas ações e minhas palavras.


Assim continuo a me mover.


Na desordem, no tumulto, na confusão.


Não me faço entender.


Essa é a minha condição.


Isso é o que eu sei, o que eu sempre soube...

... mas, por ora, já não me basta.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Caos




Eu

me
movo
no
caos.


Por ora é tudo o que sei. Por ora isso me basta.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

O ser transbordante

Nas palavras de um grande amigo e filósofo, Chico Fuchs, “Quem faz a pergunta ‘quem sou eu?’ em busca de um significado qualquer já está derrotado de antemão. Não existe resposta a essa pergunta senão no terreno da ficção…”

Sim, quem sou eu senão uma multiplicidade de eus, de seres errantes, de vontades e desejos? Por que ser uma só, por que ter de ser ou não ser, se ambos, o ser e o não-ser, coexistem, coabitam em mim? Que bobagem querer tanta coerência, tanto compromisso com uma única e definitiva verdade! Que engano, que insensatez pueril querer o inexistente, o coerente, teimar em conter, limitar, controlar aquilo que é múltiplo, transbordante.

domingo, 24 de agosto de 2008

Estranhamento

Os dias se seguem
um após o outro
E às vezes bate
um inexplicável estranhamento...

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Falando em vida, falando em cachorros loucos...

"Quantas palavras, quantas nomenclaturas para o mesmo desconcerto. Por vezes, chego a me convencer de que a estupidez se chama triângulo, de que oito por oito é a loucura ou um cachorro."
(Julio Cortázar, O jogo da amarelinha, p. 25)